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Quem é honesto não se envolve com o Bangu
06/03/2017

Ter gravado a entrevista com Arturzinho, após sua saída do comando técnico, foi algo bastante doloroso pra mim. Arturzinho, mesmo extremamente polido, foi esclarecedor. Para bons entendedores, meias palavras bastam. Sua saída repentina escancarou a realidade que esta coluna sempre alertava: no clube de hoje, o resultado dentro de campo é bem menos importante do que auferir algum lucro com a negociação de um pereba qualquer.

Sorte desta diretoria que a grande mídia nem olha para o Bangu. No meio da euforia do Carnaval, ninguém ficou sabendo da saída de um grande ídolo do clube, magoado com as interferências externas em seu trabalho. Arturzinho - artilheiro com 93 gols pelo Bangu - não iria se sujeitar a ter que escalar o perna-de-pau do Peralta só porque o Luiz Henrique precisa recuperar o investimento que fez no colombiano. Arturzinho - com 250 partidas com a camisa alvirrubra - não iria ficar mantendo o fraquíssimo Guilherme na lateral-esquerda só porque o clube quer vender esse rapaz para qualquer time. O problema é que as pressões externas para escalar esse ou aquele são terríveis. No Bangu hoje só sobrevive técnico de esquema. Um Emanoel Sacramento, protegendo Thiago Barreiros, Paulo Barrach e outros do empresários Serginho caía bem em Moça Bonita. Um Arturzinho, com opinião própria, é um perigo.

A saída do Rei Arthur - que pra mim, se tornou ainda mais ídolo após peitar essas nefastas influências - mostra claramente que o Bangu não tem planejamento algum. No máximo, quer ficar em 10º lugar e escapar do Torneio Seletivo do ano que vem. Roberto Fernandes - que já treinou o Brasiliense, o Náutico, o América de Natal e um milhão de outros clubes - é a bola da vez. Está ferrado. O elenco é péssimo. A má vontade da rapaziada no jogo contra o Nova Iguaçu foi evidente. O Guilherme errou até a cobrança de um escanteio e ligou um contra-ataque mortal para o Nova Iguaçu. O Peralta perdeu uma bola no meio-campo e nem se importou em correr atrás para recuperá-la. O time só não perdeu de mais porque o goleiro Márcio estava numa tarde ótima.

Pelo menos, novamente a influência da Federação vai nos ajudar. O jogo deve sair do estádio Laranjão porque a TV pensa em transmiti-lo. Alijar o Nova Iguaçu do seu próprio campo é a saída para que o Bangu consiga ganhar pelo menos um ponto. Caso contrário, perderia novamente. Roberto Fernandes - que tem fama de durão - tem apenas seis jogos pela frente, um elenco desmotivado, uma diretoria ávida por negociar seus atletas, e verá que em Moça Bonita falta planejamento, mas sobra esquemas. Se souber se adequar a eles, terá vida longa. Se não, em abril terminará sua passagem pelo Rio.

 
Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube
     
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