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Abrindo a caixa preta das finanças do Bangu
01/05/2017

"A imprensa somente sabe 10% do que acontece em um clube de futebol".

A frase, do ex-treinador Muricy Ramalho, é emblemática. Nossos jornalistas são realmente umas "antas". Para eles, tudo se resume ao resultado dentro do campo, às contusões, às contratações, às brigas. Esquecendo-se que, por trás dos panos, os dirigentes elaboram manobras inacreditáveis que podem significar êxito ou afundar de vez um clube. 

Hoje nosso assunto tem a ver mais com a matemática do que com o futebol em si. Gostaria de mostrar-lhes abaixo uma página do balancete anual do Fluminense. Apenas uma página dá a noção da quantidade de detalhes que o tricolor publica todo ano.

Agora, gostaria que os senhores admirassem uma página do balancete do Bangu. Pobre de informações, vazio, ocultando tudo. Proposital, é claro. Não há transparência. Porém, para a Federação do Rio, tanto o balancete do Fluminense, quanto o do Bangu são válidos.

De posse de dois balancetes paupérrimo (relativo aos anos de 2014 e 2015), assinado pelo "presidente" Ângelo Marques Ferreira (percebam que judicialmente, Varela sequer pode ser responsabilizado por algo, seu nome nem aparece no balancete. Para todos os efeitos negativos, o Ângelo é o presidente) e elaborado pelo técnico em contabilidade Daniel de Moraes Antan, resolvi convocar uma assessoria esportiva para analisá-lo.

Primeiro, a assessoria esportiva se assustou com a pobreza de dados. "Deve ser proposital" - alertei. Mesmo assim, tentando ver algo através dos números, a assessoria fez seu papel e avaliou:

1 – O baixo faturamento com venda de jogadores. Isso é reflexo do descaso com as categorias de base.

2 - Mais de 50% do faturamento do Bangu está concentrado em cota de televisão (o que reforça a necessidade do clube em permanecer na 1ª Divisão do Campeonato Carioca a qualquer custo). E quase 30% das receitas estão apresentadas como “outras receitas”. Por que não apresentar as receitas de maneira segmentada (como faz o Fluminense) e não-genérica? Não daria tanto trabalho ao contador. É um fator importante para analisarmos fontes de receita que não estão sendo exploradas.

3 – Com a inclusão do PROFUT (programa de parcelamento de dívidas do governo, que exige algumas contrapartidas), o Bangu irá precisar adaptar cada vez mais suas finanças. O que não aconteceu em 2015, provavelmente não aconteceu em 2016, e que também não acontecerá em 2017. Chamou a atenção a forma de apresentar suas despesas no balanço. Mais de 70% das despesas do clube estão apresentadas como “despesas administrativas”. O que seria tudo isso? É inadmissível um clube que fatura tão pouco, gastar tudo isso com “despesas administrativas”. Quais despesas são essas? Ou o Bangu é administrado por homens incompetentes ou desonestos.

4 - Como será o balancete de 2017 do Bangu? Um time que tem que pagar suas elevadíssimas “despesas administrativas”, o parcelamento do PROFUT, as regalias de Loco Abreu e ainda participar de uma Série-D (que é completamente deficitária), sem nenhum patrocinador de impacto, certamente, terá um dos piores anos da história no aspecto administrativo/financeiro.

Essa é a análise da assessoria esportiva contratada por mim e que mostra um quadro anormal, mesmo que o balancete esconda mais do que revele. Era necessário especificar as despesas administrativas, óbvio. Mas se 70% do que se arrecada, desaparece, e o Bangu é pródigo em pagar baixos salários a seus atletas e famoso por uma série de calotes, como é que pode se gastar tanto? Deve ser porque alguns poucos ficam com uma grande parte desse bolo.

Quando a assessoria esportiva se assusta com as "regalias do Loco Abreu", certamente, é porque foi informada que, em apenas três meses de Bangu, o ex-jogador abocanhou 264 mil reais. Quantia nada desprezível para um clube que, segundo informações da própria FFERJ, recebeu, por jogo do Campeonato Carioca, algo em torno de 300 mil reais (os grandes do Rio recebiam 1 milhão por jogo).

As cotas de TV do Campeonato Carioca (que é transmitido para todo o país e alcança 57 milhões de telespectadores) são realmente extravagantes. Se clubes como Bangu, Madureira, Boavista, Resende quisessem, poderiam estar disputando tranquilamente uma Série-C. Vide o exemplo do Salgueiro, finalista do Campeonato Pernambucano e participante da Série-C. Como o campeonato de lá não interessa a mais ninguém além dos próprios pernambucanos (alcançando apenas 9 milhões de telespectadores), a cota da Globo para times do interior é de apenas 130 mil reais para o campeonato inteiro. E ainda assim, eles hoje estão num patamar bem melhor que o Bangu.  

Num ano em que ainda tem a Série-D pela frente, para a qual o clube está contratando uma série de jogadores inexpressivos e de salários baixos, os "irresponsáveis" pelo futebol do clube torraram uma bela grana com um louco perdedor de pênaltis. Varela, que era o mesmo presidente na época em que trouxeram o Renato Gaúcho, voltou a repetir o erro. Desta vez, com prejuízos ainda maiores. Mas está tranquilo. Nem o balancete ele assina. 

 
Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube
     
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