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» 1ª Página » Colunista » Carlos Molinari
Uma vitória muda tudo
22/05/2017

Pouco antes do Campeonato Brasileiro da 4ª Divisão começar eu era cético. Acreditava que o Bangu simplesmente tinha feito um "catadão" de jogadores do Madureira, do Nova Iguaçu e do Nordeste do país. Na minha visão, a diretoria - de que ninguém é fã - tinha acertado apenas em manter o técnico Roberto Fernandes. Porém, recebi um e-mail que me deixou pensativo. Era do popular e amado Pastor João. Em linhas sucintas ele me dizia:

"Por que você não escreve que o seu time contratou um grande goleiro, um lateral esquerdo ótimo, um volante que no Madureira jogou muito, um atacante que foi artilheiro do Rio Grande do Norte e um grande atacante do Nova Iguaçu?"

Ou seja, eu estava sendo pessimista demais, enquanto a diretoria (ou a Vivyd) estava se mexendo para trazer jogadores de relativa categoria e manter quem realmente interessava. Fui, então, ver de perto a estreia. Ir a Nova Lima com a torcida me fez reviver bons momentos. Esqueçamos os anos 80. Isso não volta. Mas relembrei o quanto somos banguenses e passei a depositar minha fé numa ótima partida. Afinal, o Villa Nova, ao que tudo indica, é o pior time do Grupo 13.

Eu, que acompanho o Bangu há tanto tempo, estava míope. Irritado com todas as más campanhas recentes. Fez-se em pouco tempo um "catadão" muito bom. Um time que, se enfrentasse o mesmo Bangu que disputou o último Estadual, venceria facilmente. Vejam vocês! Sem um parasita como o Loco Abreu (88 mil por mês, não se esqueçam...), o Bangu é um grupo muito mais coeso. Por isso, logo aos 6 minutos, Igor Guimarães abriu o placar, de cabeça. Era a senha para a vitória.

O resto da partida todos já sabem. O Villa Nova empatou com um pênalti (que o Jéferson quase defendeu) e o Bangu fez dois gols de pênalti (uma mão na bola e uma falta em Guilherme), que Rafael Augusto converteu com imensa frieza. Certamente, se o nosso camisa 10 cobrasse o pênalti contra o Boavista no Estadual não teríamos empatado aquele jogo...

O Bangu deu um banho de bola. Rafael Augusto, pela garra e pela categoria; Guilherme, que mais parecia um Diego Maradona arrancando rumo à área adversária; William Oliveira, pela disposição e por jogar ferido desde o 1º tempo; foram atletas nota dez. Os demais, excetuando a fraqueza de Magno (lateral-direito) e Walter (zagueiro), primaram pelo espírito de Série-D. Guerreiros, brutos, esticando a perna sempre, dando carrinho, brigando. Não precisa jogar bonito. Para ganhar a Série-D é preciso ter uma disposição incomum. Apanhar e continuar em campo. O time ainda vai melhorar. Sérgio Rafael está aí, logo logo entrará no lugar de Walter. O Bangu venceu fora do Estado do Rio pela primeira vez em 17 anos (isso não ocorria desde Bragantino 1 x 2 Bangu, na 2a Divisão de 2000). O Bangu do estrategista Roberto Fernandes, que no 2º tempo, ao tirar o Washington de campo e colocar o Leonardo Jesus para dar cobertura ao Guilherme, mudou a feição do jogo, é agora a dor de cabeça dos rivais do Grupo 13.

Neste domingo, mais de 100 banguenses se despencaram até Nova Lima. Sete horas para ir, nove horas para voltar. E ninguém se importou. Não havia cansaço, ao contrário, eu via lágrimas no rosto do jovem Bustamante, do renitente Fábio Labre. Choravam pela vitória em Minas, choravam porque viam que, pela primeira vez, essa diretoria investindo corretamente na equipe. Eu mesmo me emocionei dentro do ônibus, na oração que fizemos ao voltar. Estava de alma lavada. Quase que arrependido por duvidar do talento de um Guilherme, de um Rafael Augusto, de um Daniel Bueno. Este time, sem figurões, é uma ótima aposta para, quem sabe, conseguir o acesso.

E se a diretoria resolveu colocar um time relativamente forte é porque não quer cair na primeira fase. Se passar, ou caminha firme para ficar entre os quatro primeiros, ou amargará um grande prejuízo. Essa é a regra da Série-D.

Pastor João, me perdoe. Eu, em relação ao Bangu de 2017, faço minhas as palavras do antigo secretário Guilherme Pastor, traçadas em 1916:

"Bangu. Eu quero ver-te, em perenal acesso, altivo sempre e sempre denodado, galgando os céus da glória e do progresso".

Que assim seja!

 
Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube
     
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