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Que disposição, guerreiros!
29/05/2017

Quando Daniel Bueno, um jogador de 33 anos, que Roberto Fernandes foi buscar no Rio Claro (SP), marcou o gol único logo no primeiro minuto, o torcedor banguense entendeu qual é a tática do treinador.

Assim como na partida de Nova Lima, Roberto Fernandes tem pressa em decidir. Quer que o gol saia no primeiro ataque, se possível. Justamente para acovardar o adversário. Em Nova Lima foi aos 6 minutos, na primeira chance possível. Agora, contra a Portuguesa - adversário mais difícil do grupo -, o Bangu começou a matar o leão quando muita gente ainda estava fora do estádio. 

A Portuguesa sentiu o golpe e durante toda a partida insistiu na única jogada que parecia possível. Bola nas costas do lateral-direito Magno, que demonstrou ainda não estar no mesmo ritmo dos demais jogadores.

Não seria injusto dizer que o Bangu poderia ter ganho de 4 a 1. Igor, Daniel Bueno e Léo Bahia pararam nas defesas de Ricardo Berna.

Os gols perdidos não inviabilizaram a festa. Os mais de mil torcedores que foram ao estádio (houve até fila nas bilheterias de Moça Bonita) estavam enlouquecidos com os guerreiros em campo. Não é exagero chamá-los de guerreiros. Quem viu a atuação de William Oliveira até agora se pergunta como é possível ele estar na defesa e no ataque ao mesmo tempo. Quem viu a velocidade de Luciano Naninho e de Léo Bahia pode sonhar com algo a mais. Quem viu o quanto Rafael Augusto apanhou da Portuguesa e ainda continuou em campo, tem a certeza de que  predomina a vontade e a entrega.

O próprio Daniel Bueno declarou após a partida que cada um dos que estão em campo foram "jogadores escolhidos a dedo pelo treinador". Ou seja, cada dividida, cada carrinho, cada lançamento, cada esforço é para retribuir a confiança. Um comentarista imparcial pode dizer que são apenas profissionais pagos para fazer isso. Mas os do Campeonato Carioca também eram remunerados e não faziam nem a metade. Entravam em campo com a derrota escrita na testa.

Destes derrotados do Carioca um ainda carrega o estigma. Para infelicidade da torcida, o atacante Mateus possui contrato com o alvirrubro até o dia 30 de maio de 2018. A diretoria não encontra um único interessado no rapaz de 25 anos. Contra a Portuguesa, a transmissão enganou-se e passou a chamá-lo de Hudson. Em Brasília, pela televisão, já reconhecia o derrotado de outros Carnavais. Não pelo cabelo raspadinho, mas pelo gol perdido cara a cara. Mateus substituiu mal a Luciano Naninho. E a cada minuto em campo fica evidente que não há mais espaço para Mateus num grupo com tamanha vontade de vencer.

Domingo que vem, 4 de junho, é contra a Desportiva. Os capixabas ainda não marcaram gols. Vão vir cautelosos, fechadinhos, esperando uma chance. Cabe aos comandados de Roberto Fernandes abusar da garra, da vontade, da disposição. Evitar deixar os minutos correrem. Abrir o placar o quanto antes. O experiente treinador tem a semana inteira para corrigir os erros de posicionamento da defesa. Cleidson e Walter já melhoraram muito nesta segunda rodada e a tendência é que ganhem cada vez mais entrosamento. O técnico irá verificar também se é melhor deixar o Washington na lateral em vez do claudicante Magno. De resto, é só soltar as feras. 


Nós, os torcedores

Qual o nosso sonho? Ser campeão? Ascender à Série-C? Ganhar todos os jogos em casa? Eu confesso que fico feliz apenas em ver a equipe atuando com tamanha desenvoltura, tanta vontade. Não acreditava ver uma boa equipe em Bangu antes de 2033...

Quando vejo um William Oliveira chutar a bola para qualquer lado, espanando o perigo que ronda a meta de Jéferson, eu me realizo também. É o que eu faria se estivesse em campo. "Aqui não!" - é a mensagem que ele passa.

No sábado, assistindo ao jogo na festa dos banguenses em Brasília, eu percebi o quanto cada chute desses lá atrás é um alívio. Eu, o Niltinho, o Álvaro, o irlandês Eon, todos nós depositávamos fé nesses rapazes, que um mês atrás nós nem conhecíamos. Hoje, acreditamos que não há clube no Brasil que dispute uma partida com mais vontade, com mais sentimento.

A medida que os resultados forem surgindo, a torcida do bairro irá aumentar (essa é uma das preocupações da Vivyd). Contra a Desportiva, devemos passar das 1.500 pessoas. Ainda é pouco, mas é um processo importante. Logo logo, este time vencedor arrastará mais gente a Moça Bonita do que um inútil jogador veterano de 40 anos.

Na Série-D de 2016 todas as equipes que fizeram 9 pontos se classificaram para a próxima fase. Ou seja, falta ao Bangu uma única vitória para estar entre os 32 melhores times. É claro que ninguém quer só 9 pontos. Para ficar em primeiro do grupo é preciso somar mais do que 11 pontos. Todos sabemos que a classificação está próxima. Semanalmente é possível fazer previsões. Mas essa empolgação cabe a nós, torcedores. Aos guerreiros cabe voltar a Moça Bonita no domingo com o mesmo espírito.

Não precisamos nos preocupar. Eles vão entrar em campo da mesma forma. Daniel Bueno disse que o time está "não só retribuindo a confiança do técnico, como a dos torcedores também". É claro que sim. Os jogadores perceberam, em Nova Lima, que não há distância para esses banguenses, que esperaram anos e anos por uma equipe com esta qualidade.

 
Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube
     
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