Rio de Janeiro, sexta-feira, 24 de março de 2017 - 09h04min
Clube
História
Estádios
Símbolos
Presidentes
Futebol
Jogos
Títulos
Atletas
Técnicos
Competições
Informação
Livros
Crônicas
Reportagens
Por onde anda?
Estatísticas
Gerais
Confrontos
Campanhas
Ranking CBF
Competições
Multimídia
Fotos
Áudios
Vídeos

» 1ª Página » Colunista » Carlos Molinari
O esquema do uniforme azul
13/02/2017


Não vi o jogo de ontem. À tarde, quando soube pelo jornal O Globo que o Bangu iria jogar de azul escuro e amarelo, eu já percebi o fracasso. Quando li que o Bangu jogaria com o seu "terceiro uniforme" porque tinha arrumado o patrocínio dos Supermercados Dia, eu vi claramente a índole que permeia a cabeça dos nossos dirigentes.

Imagine que você tem um jogo transmitido pela TV Globo para todo o país. Você pode expor durante 90 minutos sua marca no uniforme de um clube. O que o Bangu faz? Óbvio. Negocia esse espaço. Em 2013, isso custava 35 mil reais. Hoje deve passar dos 70 mil. Mas imagine que, nessa reunião com o marketing do Supermercados Dia, você joga um blefe?

- Olha, nós somos um clube vermelho e branco, vocês sabem. Mas nós até mudaríamos nossa cor, usaríamos um uniforme de fundo escuro para realçar ainda mais a marca de vocês, se vocês dessem um upgrade no valor do patrocínio. É simples. Eu invento um uniforme azul escuro, digo que é por causa do Southampton, mesmo sabendo que o Bangu não tem nada a ver com o clube inglês, e o uniforme fica com um tom só e o nome do supermercado se destaca ainda mais. Isso custa só um pouquinho a mais. Só o preço de confeccionar essa camisa especial, que nós não temos em estoque. Vocês topam?

É assim que funciona. É assim que o Bangu negocia. Tudo na trapaça, na mutreta, no esquema. Por 15 mil, 20 mil reais a mais, eles se prostituem fácil, fácil.

Por um “upgrade” no valor do patrocínio, Varela e Luiz Henrique rasgam os estatutos de 2002, anulando os artigos 94 e 95:
Art 94 - As cores oficiais do Bangu serão branco e vermelho.
Art 95 - O Pavilhão, a flâmula e o emblema permanecem os mesmos já registrados, ficando os uniformes de competição desportiva a critério da Diretoria Executiva, desde que respeitadas as tradições e as cores oficiais.

Esse estatuto é o mesmo que no artigo 102, Rubens Lopes cancelava todos os títulos de sócios proprietários e remidos existentes até então. Ora, se a diretoria atual pode desrepeitar os estatutos no caso do uniforme, todos os sócios que tiveram seus títulos cancelados podem voltar a ser sócios. O estatuto não vale nada.

Enfim, por esse motivo do quentíssimo uniforme azul e amarelo – utilizado num dia de 40 graus de temperatura - não perdi meu tempo em ver esse jogo, embora soubesse o resultado e tenha assistido, à noite, os lances capitais.

Ah, sim. E pra quem vai o dinheiro do patrocínio do supermercado? Certamente não vai para os cofres do clube, nem é repartido com os jogadores, que esse ano sequer ganharam um único “bicho” ainda. Tirem suas conclusões.


I - O fim de Eduardo Allax

Antigamente existia um negócio chamado Torneio Início. Não é da minha época. Eram jogos de apenas 20 minutos de duração. Nos primórdios do futebol, ainda saía gol em 20 minutos. Depois, o Torneio foi ficando uma chatice, porque os esquemas táticos e a forte marcação faziam 20 minutos passar rápido, o empate em 0 a 0 era uma constante e os joguinhos eram todos decididos nos pênaltis. O torcedor parou de ir e o Torneio Início foi extinto, enfim, em 1977.

Hoje, em dia, nenhum time de futebol profissional leva três gols em 20 minutos. Só o Bangu. Só uma equipe despreparada taticamente e que já entra em campo derrotada, vestindo um uniforme que não condiz com suas cores.

Eduardo Allax não é só inexperiente para o cargo, é incompetente também. Nenhum treinador em sã consciência coloca o Marcos Vinícius – atleta que não tem sequer porte físico para uma partida de futebol profissional – para jogar 90 minutos contra um Fluminense.

Durante a semana, em um embuste terrível, Eduardo Allax quis se agarrar ao cargo. Numa matéria ao site Futrio (http://www.futrio.net/site/noticia/detalhe/35194232/eduardo-allax-ve-bom-resultado-do-bangu-e-sai-em-defesa-de-marcio) elogiou o desenvolvimento do time diante do Volta Redonda e valorizou o goleiro Márcio. Quem viu o jogo sabe que o Bangu foi dominado inteiramente e que Márcio fracassou outra vez. Eduardo Allax vendeu uma mentira para ver se colava. Não colou.

Agora, como a diretoria está preocupada – o time já está na zona de rebaixamento para o Torneio Seletivo de 2018 e perdendo seu status de clube médio (consequentemente, a cota da TV Globo também será reduzida) -, Eduardo Allax irá cair sem dó. O clube pode ou recolocar Mário Marques no seu lugar ou inventar outra falácia: tirar Cleimar Rocha da aposentadoria e dizer que, assim como em 2012, o Bangu traz o comandante que deu uma sobrevida ao time. A opção que a torcida queria – Mazolinha – está descartada. Mazolinha não combina com esse “Partiu Bangu”, esse time que vende 350 camisas em um dia, esse time que vende 2.000 ingressos antecipados (outros factóides criados pela assessoria de imprensa do clube).

Eduardo Allax pode sumir e ir treinar a Portuguesa da Ilha do Governador, time que tanto ama. Lá, o técnico Nelson Rodrigues também está com a corda no pescoço.


II - 11 a 0?

No intervalo do jogo, uma repórter da TV Globo chegou a perguntar a um jogador do Fluminense se o time iria fazer 11 gols no Bangu, igualando uma goleada ocorrida em épocas passadas. Ou seja, a repórter viu um Bangu tão vulnerável, tão fraco que, para ela, era possível repetir um placar que ocorreu há cem anos, quando ainda se jogava com cinco atacantes e se defendia com dois homens apenas. Para a repórter, fazer 11 gols era mole.

No 2º tempo, o Fluminense só não fez mais porque o jogo perdeu a graça. Acertou a trave, perdeu um pênalti – bem defendido pelo goleiro Márcio, é verdade. E ainda fez um gol, novamente em escanteio, novamente em uma falha do goleiro Márcio, que é baixinho e não sabe sair da meta.

Nos Juniores, a situação é idêntica. O time perdeu de 5 a 1 do Fluminense, tem apenas dois pontos, é o penúltimo colocado com um time todo “terceirizado”, ou seja, também não temos mais categorias de base.


III - Perguntas

Como é que pode um time contratar um volante lá do Uruguai para ficar apenas na reserva? Quem foi o inteligente que trouxe o Damián Eroza, que sequer joga? Se fosse para ter um volante reserva, era mais fácil trazer alguém do Ceres. Pelo menos estava mais perto e custava mais barato.

Alguém acredita que o lateral-esquerdo Guilherme não foi negociado com o Veracruz, do México, por falta de acordo financeiro ou seria porque os mexicanos viram logo que o rapaz era ruim demais? (http://www.futrio.net/site/noticia/detalhe/35193282/mesmo-com-proposta-guilherme-fica-no-bangu-para-a-proxima-temporada) É verdade que o agente Ezequia de Oliveira interrompeu a excursão ao Vietnã no meio e chegou a ir para o México vendê-lo, mas o clube não foi bobo. O vídeo da partida contra o Shanon Bellmare, pela BTV Cup, foi assistido pelos mexicanos. Nela, Guilherme falha feio na entrada da área e entrega um gol para os japoneses. E depois, perde um gol cara a cara com o goleiro adversário. Não há como apostar 800 mil reais num jogador com esse. Ontem, o Fluminense fez o que quis pelo lado esquerdo. Sorte do Veracruz que assistiu ao vídeo, azar o nosso.

Alguém em sã consciência acredita que o próximo reforço do Bangu, o zagueiro João Guilherme, que estava no futebol do Chipre, desprezou propostas do Vasco e do Grêmio para vir para Moça Bonita? (http://www.bangu-ac.com.br/bangu-contrata-zagueiro-campeao-na-europa/) No “temível” futebol do Chipre também estava o colombiano Peralta, que até agora não mostrou a que veio.

O que você faria se fosse presidente de uma empresa e tivesse um amigo seu de infância desempregado? O caridoso Varela anda empregando todos seus amigos lá dos tempos de Nova Iguaçu na Comissão Técnica do Bangu. Esse é um dos motivos porque Comissão Técnica está tão inchada. Comissão Técnica que, diga-se de passagem, não apita nada nos destinos do time e teve que se sujeitar a ver a equipe jogar de camisa azul escura no sol escaldante.


IV - A primeira vitória

A primeira vitória vai sair. E já tem até dia, hora e local. Quarta-feira, 9 horas da manhã, em Moça Bonita. É quando o Bangu tem programado um jogo-treino contra o Campo Grande, time que está na 4ª Divisão do futebol carioca.

 
Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube
     
Livros
 
Estatísticas 2017
 
Jogos 9
Vitórias 1
Empates 3
Derrotas 5
Gols Pró 6
Gols Contra 17
Saldo de Gols -11
Aproveitamento 22%
Artilheiros 2017
 
Loco Abreu 3
Leandro Chaves 1
Raphael Augusto 1
João Guilherme 1