Rio de Janeiro, domingo, 24 de setembro de 2017 - 18h15min
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Maracanã 14 de junho de 1987


Enfim o Bangu é campeão na década de 80! Gilmar, Márcio Rossini, Oliveira, Mauro Galvão, Racinha e Jacimar, na fila de cima. Marinho, Arturzinho, Toby, Paulinho Criciúma e Ado, os heróis da Taça Rio.

A cena era comovente aos olhos de qualquer banguense. Suado, a faixa esticada pelo peito, o coração acelerado, Pinheiro segurava e beijava pela primeira vez a Taça Rio, já perto dos degraus de acesso ao vestiário. Era o clímax da emoção. À sua volta, os jogadores se abraçavam, festejavam. Na arquibancada, um grito abafava a bandinha – “É campeão, é campeão, é campeão”. Eram os também heróicos torcedores do Bangu. E tudo isso se justificava: o Bangu voltava a festejar um título, 21 anos depois de conquistar o Campeonato Carioca de 1966.

Mauro Galvão, cérebro do time em 1987, ergue a taça.

Irrepreensível, o Bangu coroou esse seu triunfo – foi campeão invicto – de um jeito que não deixava dúvida: com bela vitória (3 a 1) sobre o Botafogo. Foi campeão com méritos. Mostrou isso ao desenvolver um futebol correto, eficiente e bonito. Um futebol que, com apenas 5 minutos de jogo, definia a sorte do jogo e da Taça Rio, levando os aflitos torcedores do Botafogo a retirar faixas e enrolar bandeiras.

Houve o toque de mestre. A estratégia de Pinheiro funcionou plenamente, mas os jogadores do Botafogo ajudaram muito. Sem centroavante, o Bangu executou um rodízio de jogadores no comando de ataque. Ora aparecia Arturzinho, ora Marinho, ora Paulinho Criciúma. Foi assim desde o primeiro minuto. Um vaivém constante que desnorteou os zagueiros adversários. O Bangu perdeu muitos gols. Talvez por causa dessa facilidade.

Todo campeão tem seus heróis. No Bangu é difícil destacar um. O time, equilibrado em todas as linhas, não deixava, porém, de ter suas molas mestras – como tinha o Bangu de 66. E por essas coincidências da vida, tinha um Marinho – novamente em forma – como tinha em Paulo Borges a sua principal e mortal jogada ofensiva, capaz de aniquilar esquemas, desmoralizar defensores, bastasse que na origem, a bola partisse com o toque de maestria. Nos pés de um como no de outro, chegando limpa, invariavelmente, a bola encontrava seu destino: o gol. E esse toque vinha de Ocimar em 66, como vinha de Mauro Galvão, elegante, hábil, inteligente. Ou ainda do pequeno Arturzinho, autor de dois gols.

Em 1987, o Bangu não sofreu. Logo com um minuto, Marinho fez 1 a 0. Aos 5, foi a vez de Arturzinho ampliar. Com o Botafogo ainda tonto, Arturzinho fez 3 a 0 aos 23 minutos. O título já estava em Moça Bonita. Desta vez, não havia juiz nenhum que pudesse mudar o placar.

O Botafogo descontou, numa cobrança de falta de Berg, aos 33 minutos. O 3 x 1 do 1º tempo foi o resultado que se manteve até o fim.


A alegria

O técnico Pinheiro conquista seu objeto de desejo, ladeado por Mauro Galvão e Castor de Andrade.

A festa foi do Bangu. E nunca esteve ameaçada. Ao contrário: no 2º tempo, desperdiçou muitos gols. Sem exagero, poderia ter goleado o desajustado Botafogo. Mas, mesmo superior e com a vantagem de dois gols, procurou jogar sério. A própria torcida, em número superior à do adversário – e, por motivos óbvios, mais alegre -, somente começou a contar com a conquista quando faltavam menos de 15 minutos para o fim do jogo. Em 1985, o Bangu foi vice-campeão brasileiro e estadual e isso deixou marcas.

“Rio explode de emoção – Bangu campeão”. Quando os torcedores exibiram a faixa na arquibancada, não havia mais dúvida: a Taça Rio tinha novo dono. As bandeiras começaram a tremular, os gritos de “campeão, campeão, campeão” a tomar conta do estádio. Logo, o juiz encerrou o jogo e a emoção invadiu o campo. Os abraços, os choros convulsivos, as trocas de camisas e muita correria. Campeões festejando.

Imagens de alegria. Cenas de fortes emoções. O Bangu ganhou a Taça Rio e esperava reeditar a consagradora vitória de 1966, sem o estigma de time perdedor. Além de importante conquista, a Taça Rio é um grande atalho para se chegar ao título estadual. Pinheiro sabia disso quando a beijou...


A comemoração

No vestiário do Bangu duas surpresas: Castor de Andrade e Carlinhos Maracanã não ficaram para receber os abraços e a alegria pelo título conquistado não passava dos limites da normalidade. Apenas Gilmar mostrava uma euforia maior que os companheiros. Abraçado à taça, não cansava de alisá-la.

No canto do vestiário, o técnico Pinheiro não chegava para os abraços. Perguntado se chegou a temer pelo resultado do jogo, foi franco como sempre:

“Tremi nos 15 minutos finais do 1º tempo. O Botafogo marcou o gol e o Bangu já não tinha a mesma armação tática do início. Alguns jogadores começaram a correr de um lado para o outro sem resultado prático. No intervalo, conversamos e arrumamos a casa. O 2º tempo foi diferente. O time voltou tranquilo e deixou o tempo passar conforme o combinado”.


O prêmio

Paulinho Criciúma não segura o choro. Desta vez, as lágrimas eram de alegria.

Como dinheiro não fica para depois em Moça Bonita, ainda no vestiário o presidente Rui Esteves pediu aos jogadores que fossem à sede do clube para a festa. Deixou claro que Castor de Andrade poderia adiantar o prêmio da partida, que era de 20 mil cruzados. Pela conquista do título ainda não havia uma definição, mas poderia chegar aos 100 mil cruzados.

Os dirigentes tinham tanta certeza na conquista do título que mandaram gravar na taça antes do jogo: “Bangu campeão invicto da Taça Rio de 1987”. Quando alguém quis saber o que aconteceria em caso de derrota, o presidente não hesitou:

“A derrota nem passou pela nossa cabeça. Mas se houvesse algum imprevisto, era só mandar tirar a placa. Felizmente tudo acabou dando certo. Na próxima vez que o Bangu ficar novamente nesta situação, vamos providenciar nova gravação. Deu sorte e tudo que dá sorte deve continuar”.

Marinho, que era muito festejado pelos torcedores, perguntou se algum dirigente da CBF estava no Maracanã:

“Será que eles não viram como corri? Acho que posso voltar a ter uma chance na seleção deles. Eu me sinto um potro, cheio de saúde”.

A frase

 

Corri muito em busca de um título de campeão. Por duas vezes, Campeonato Nacional e Carioca, cheguei perto. Agora nem senti o peso da taça na volta olímpica, e nem sentiria se pesasse mil quilos.

 

Gilmar, camisa 1 do Bangu 1987

Campeonato Carioca 1987
     
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