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AO MESTRE, COM CARINHO

Inglês revive magia de Domingos da Guia em livro

RIO - Em tempos de adoração aos atacantes brasileiros, não é fácil entender que um zagueiro do país já foi considerado um dos melhores jogadores de todo o mundo. Entre 1929 e 1949, com seu futebol refinado, e depois com a propagação quase mitológica de seus feitos, Domingos da Guia encantou fãs de todos os cantos do planeta. O jornalista inglês Aidan Hamilton é um deles, e acaba de lançar ''Domingos da Guia - O Divino Mestre''(250 páginas, Editora Gryphus), que resgata a trajetória de um herói do esporte nacional.

No livro, Aidan disseca a carreira do zagueiro, que defendeu a Seleção Brasileira, Bangu, Vasco, Nacional, Boca Juniors, Flamengo e Corinthians.

Os relatos do conterrâneo Harry Welfare, ex-jogador do Fluminense e técnico de Domingos no Vasco dos anos 30, despertaram a curiosidade do escritor. Em 1999, o encontro com da Guia para uma entrevista, seis meses antes de sua morte, definiu o desejo de ir fundo na vida do craque.

''Ele foi muito simpático. Não gravei a conversa em respeito a Domingos. Mas, conversando com os seus filhos surgiu a idéia de escrever o livro'', disse Aidan sobre o início do projeto.

Hamilton começou então uma pesquisa que durou cinco anos. Para realizá-la, ele consultou os arquivos da Biblioteca Nacional, fez entrevistas com personagens ilustres e até viajou ao Uruguai e à Argentina para colher informações sobre as passagens do jogador pelo Nacional e pelo Boca Juniors.

Ao privilegiar o registro oral, com uma verdadeira coleção de depoimentos, incluindo alguns do próprio protagonista, Aidan buscou mostrar o lado humano de Domingos da Guia. ''Procurei mostrá-lo como ser humano, colhendo declarações dadas a seu respeito por pessoas que conviveram com ele'', explicou Aidan.

Porém, por tratar de fatos do início do século XX, distantes da TV e da Internet, Hamilton encontrou algumas dificuldades. Na busca do relato fidedigno para um dos únicos lances sombrios da carreira do jogador - o pênalti cometido em Piola, na semifinal da Copa da França, em 1938, contra a Itália - ele confessa:

''Foi trabalhoso. Há ambiguidades nos depoimentos, principalmente sobre a posição da bola na hora do pênalti, embora muitos confirmem a tensão entre Domingos e Piola ao longo da partida.''

O racismo no futebol, de volta com força total nos últimos tempos, também é abordado. Segundo Aidan, Domingos, que era neto de escravos, foi um dos primeiros jogadores a tomarem atitudes quanto ao problema da segregação racial no futebol.

''O fato de ele participar de um jogo amistoso entre dois times de negros, em São Paulo, em 1931, visando a chamar a atenção para o problema, reforça isso'', explica Hamilton.

Capítulo à parte na pesquisa, os relatos da crônica esportiva foram muito importantes na confecção do livro. Aidan admite que determinados jornalistas, como o ilustre Mário Filho, contribuíram para a construção da imagem do craque. Aliás, Aidan explica que Mário pode ser o responsável pela alcunha que segue até hoje o nome do jogador:

''Foi possivelmente Mario Filho quem inventou o apelido Divino Mestre e não os uruguaios como se pensa.''
Sobre uma das mais famosas jogadas do craque, o autor diverte-se com o rumo que o termo ''domingada'' tomou ao longo do tempo.

''É divertido como adquiriu um valor pejorativo. Inicialmente designava uma jogada que só ele era capaz de executar, ao dominar a bola em sua área e sair driblando os atacantes do adversário. Talvez seja o único zagueiro do mundo com uma jogada própria'', diz.

Quando indagado, em comparação aos relatos, sobre o jogador mais parecido com Domingos da Guia que ele já viu jogar, o inglês, pensativo, conclui:

''É difícil. Não acho que tenha visto alguém com tamanha habilidade e colocação tática. Pelas descrições da época não penso ter observado alguém tão completo. Talvez Bobby Moore.''



Autor de livro sobre Domingos da Guia é um inglês tricolor


O jornalista Aidan Hamilton mora no Brasil desde 1999 e trabalha como correspondente da emissora de televisão inglesa BBC. Ele também é autor do livro ''Um jogo inteiramente diferente''(Editora Gryphus, 2001), que investiga os elos históricos entre o futebol inglês e o brasileiro.

Sobre a preferência clubística ele revela sua simpatia pelo tricolor das Laranjeiras:

''Torço pelo Bristol City, mas aqui sou Fluminense. Gosto mesmo é de futebol e de assistir a partidas ao vivo. Vou sempre à Rua Bariri (estádio do Olaria) e a Conselheiro Galvão (do Madureira).''

Hamilton não se preocupa com o pobre mercado editorial futebolístico do Brasil. ''Ao entrar em uma livraria no Brasil, encontramos no máximo uma prateleira com livros sobre esportes, destes alguns são sobre futebol, isso é pouco. Mas, não me preocupo, continuo com o meu trabalho.''

Perguntado sobre seu próximo livro, Hamilton prefere dizer que ainda está descansando do trabalho que teve para escrever a obra sobre Domingos da Guia. Entretanto, deixa uma porta aberta para a próxima publicação.

''Quem sabe uma obra sobre o primeiro jogo da Seleção Brasileira, contra o Exeter City, em 1914. Muitas dúvidas persistem sobre a partida e acho que merece um trabalho.''

Fonte: Jornal do Brasil (Repórter Marcelo Pizzi), 26/04/2005.

     
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