Rio de Janeiro, domingo, 24 de setembro de 2017 - 18h14min
Clube
História
Estádios
Símbolos
Presidentes
Futebol
Jogos
Títulos
Atletas
Técnicos
Competições
Informação
Livros
Crônicas
Reportagens
Por onde anda?
Estatísticas
Gerais
Confrontos
Campanhas
Ranking CBF
Competições
Multimídia
Fotos
Áudios
Vídeos

» 1ª Página » Informação » Reportagens

E O BANGU ACABOU DANDO A VOLTA OLÍMPICA

Foto: Arquivo Lance!
 
Paulo Henrique, do Fla, e Ladeira, do Bangu, que iniciaram a confusão na decisão do Campeonato carioca de 1966

"A torcida reunida até parece a do Fla-Flu".

Trecho do hino do Bangu ficou próximo da realidade no domingo ensolarado de 18 de dezembro de 1966, quando o tradicional clube do subúrbio do Rio de Janeiro conquistou seu segundo Campeonato Carioca, derrotando o Flamengo por 3 a 0 na decisão, diante de 143.978 pagantes.

Foi dos jogos mais tumultuados da história do Maracanã. No comecinho, o lateral Ari Clemente atingiu o ponta Carlos Alberto, que permaneceu apenas "fazendo número", como se dizia, pois não eram permitidas substituições. O Rubro-Negro ficou com dez.

Com 15 minutos, Nelsinho sofreu estiramento e passou a jogar "no sacrifício". O Flamengo estava praticamente reduzido a nove homens. Logo, Ocimar abriu o placar aos 23 minutos, em chute longo, num frangaço de Valdomiro. Na seqüência, Aladim meteu 2 a 0.

No intervalo, o polêmico atacante Almir "Pernambuquinho" teria prometido ao dirigente Flávio Soares de Moura: "Eles vão ganhar, mas não darão a volta olímpica".

Mal começou o segundo tempo e Paulo Borges marcou o terceiro gol, após jogada espetacular, restando ao Flamengo evitar o pior.

Aos 25 minutos, Paulo Henrique e Ladeira desentenderam-se na lateral e Almir partiu para cima do centroavante do Bangu, que correu em círculos, sendo atingido, porém, na seqüência da confusão, pelo zagueiro Itamar, provocando a intromissão dos outros 18 jogadores no conflito, obrigando o árbitro Aírton Vieira de Moraes a encerrar a partida.


´Taxa três´ mostrou a superioridade alvirubra

O árbitro, conhecido como Sansão, fez jus ao apelido, expulsando cinco jogadores do Flamengo - Valdomiro, Itamar, Paulo Henrique, Almir e Silva - e quatro do adversário - Ubirajara, Luis Alberto, Ari Clemente e Ladeira. Mas depois que os ânimos foram serenados, o Bangu contrariou a previsão do "Pernambuquinho", dando a volta olímpica no Maracanã, aplaudido por cerca de 15 mil pessoas, a tal "torcida reunida que até parece a do Fla-Flu" de que fala o hino. É necessário destacar que o time suburbano era superior ao Rubro-Negro no conjunto, tanto que no segundo turno, embalado, meteu quatro no Bonsucesso e estabeleceu a "taxa três": 3 a 1 no Olaria, 3 a 0 no Botafogo, 3 a 2 no América, 3 a 0 no Vasco, 3 a 1 no Fluminense e 3 a 0 no Flamengo. Melhor impossível. Na decisão, Sansão teve como auxiliares Guálter Portela Filho e José Teixeira de Carvalho. O Bangu jogou com Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Luis Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho e Aladim. O Flamengo com Valdomiro, Murilo, Itamar, Jaime e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Carlos Alberto, Almir, Silva e Osvaldo. A campanha rubro-negra: 12 vitórias, cinco empates, uma derrota, 31 gols pró e 12 contra.


Curiosidades

A campanha do Bangu: 15 vitórias, dois empates, uma derrota, 50 gols pró e oito contra, saldo de 42. Marcaram: Paulo Borges (16), Cabralzinho (11), Aladim e Jair (5), Ênio (4), Ladeira (3), Jaime (2), Norberto, Ocimar e Zé Carlos (1), além de um gol contra.
Houve um curioso duelo de técnicos argentinos na decisão, ambos ex-jogadores radicados no Brasil desde a década de 1940: Alfredo Gonzalez (11/3/15) dirigiu o Bangu e Armando Renganeschi (10/5/13), o Flamengo.


Time só ficou duas vezes em branco

Os jogos, no primeiro turno: 5 x 0 Madureira (11/9, Conselheiro Galvão), 5 x 0 São Cristóvão (18/9, Maracanã), 4 x 1 América (21/9, Maracanã), 3 x 0 Campo Grande (25/9, Moça Bonita), 3 x 0 Olaria (28/9, Maracanã), 2 x 1 Portuguesa (2/10, Maracanã), 1 x 0 Fluminense (9/10, Maracanã), 0 x 0 Vasco (16/10, Maracanã), 0 x 0 Botafogo (20/10, Maracanã), 2 x 0 Bonsucesso (23/10, Moça Bonita) e 1 x 2 Flamengo (30/10, Maracanã). No segundo turno: 4 x 0 Bonsucesso (6/11, Teixeira de Castro), 3 x 1 Olaria (14/11, Moça Bonita), 3 x 0 Botafogo (20/11, São Januário), 3 x 2 América (27/11, Maracanã), 3 x 0 Vasco (4/12, Maracanã), 3 x 1 Fluminense (12/12, Maracanã) e 3 x 0 Flamengo (18/12, Maracanã). Também foram campeões: o lateral Cabrita e os atacantes Ênio, Jair Santos, Luisinho Boiadeiro, Norberto, Tonho e Zé Carlos
.


Fonte: Jornal Lance! (Roberto Assaf – Memória do Futebol), 19/12/2006.

     
Livros
 
Estatísticas
 
Jogos 4.133
Vitórias 1.728
Empates 979
Derrotas 1.426
Gols Pró 7.305
Gols Contra 6.332
Saldo de Gols 973
Artilheiros
 
Ladislau 231
Moacir Bueno 203
Nívio 152
Menezes 137
Zizinho 125
Luís Carlos 119
Paulo Borges 109
Décio Esteves 98
Arturzinho 93
Marinho 83