Rio de Janeiro, domingo, 19 de novembro de 2017 - 06h37min
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E O BANGU ACABOU DANDO A VOLTA OLÍMPICA

Foto: Arquivo Lance!
 
Paulo Henrique, do Fla, e Ladeira, do Bangu, que iniciaram a confusão na decisão do Campeonato carioca de 1966

"A torcida reunida até parece a do Fla-Flu".

Trecho do hino do Bangu ficou próximo da realidade no domingo ensolarado de 18 de dezembro de 1966, quando o tradicional clube do subúrbio do Rio de Janeiro conquistou seu segundo Campeonato Carioca, derrotando o Flamengo por 3 a 0 na decisão, diante de 143.978 pagantes.

Foi dos jogos mais tumultuados da história do Maracanã. No comecinho, o lateral Ari Clemente atingiu o ponta Carlos Alberto, que permaneceu apenas "fazendo número", como se dizia, pois não eram permitidas substituições. O Rubro-Negro ficou com dez.

Com 15 minutos, Nelsinho sofreu estiramento e passou a jogar "no sacrifício". O Flamengo estava praticamente reduzido a nove homens. Logo, Ocimar abriu o placar aos 23 minutos, em chute longo, num frangaço de Valdomiro. Na seqüência, Aladim meteu 2 a 0.

No intervalo, o polêmico atacante Almir "Pernambuquinho" teria prometido ao dirigente Flávio Soares de Moura: "Eles vão ganhar, mas não darão a volta olímpica".

Mal começou o segundo tempo e Paulo Borges marcou o terceiro gol, após jogada espetacular, restando ao Flamengo evitar o pior.

Aos 25 minutos, Paulo Henrique e Ladeira desentenderam-se na lateral e Almir partiu para cima do centroavante do Bangu, que correu em círculos, sendo atingido, porém, na seqüência da confusão, pelo zagueiro Itamar, provocando a intromissão dos outros 18 jogadores no conflito, obrigando o árbitro Aírton Vieira de Moraes a encerrar a partida.


´Taxa três´ mostrou a superioridade alvirubra

O árbitro, conhecido como Sansão, fez jus ao apelido, expulsando cinco jogadores do Flamengo - Valdomiro, Itamar, Paulo Henrique, Almir e Silva - e quatro do adversário - Ubirajara, Luis Alberto, Ari Clemente e Ladeira. Mas depois que os ânimos foram serenados, o Bangu contrariou a previsão do "Pernambuquinho", dando a volta olímpica no Maracanã, aplaudido por cerca de 15 mil pessoas, a tal "torcida reunida que até parece a do Fla-Flu" de que fala o hino. É necessário destacar que o time suburbano era superior ao Rubro-Negro no conjunto, tanto que no segundo turno, embalado, meteu quatro no Bonsucesso e estabeleceu a "taxa três": 3 a 1 no Olaria, 3 a 0 no Botafogo, 3 a 2 no América, 3 a 0 no Vasco, 3 a 1 no Fluminense e 3 a 0 no Flamengo. Melhor impossível. Na decisão, Sansão teve como auxiliares Guálter Portela Filho e José Teixeira de Carvalho. O Bangu jogou com Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Luis Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho e Aladim. O Flamengo com Valdomiro, Murilo, Itamar, Jaime e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Carlos Alberto, Almir, Silva e Osvaldo. A campanha rubro-negra: 12 vitórias, cinco empates, uma derrota, 31 gols pró e 12 contra.


Curiosidades

A campanha do Bangu: 15 vitórias, dois empates, uma derrota, 50 gols pró e oito contra, saldo de 42. Marcaram: Paulo Borges (16), Cabralzinho (11), Aladim e Jair (5), Ênio (4), Ladeira (3), Jaime (2), Norberto, Ocimar e Zé Carlos (1), além de um gol contra.
Houve um curioso duelo de técnicos argentinos na decisão, ambos ex-jogadores radicados no Brasil desde a década de 1940: Alfredo Gonzalez (11/3/15) dirigiu o Bangu e Armando Renganeschi (10/5/13), o Flamengo.


Time só ficou duas vezes em branco

Os jogos, no primeiro turno: 5 x 0 Madureira (11/9, Conselheiro Galvão), 5 x 0 São Cristóvão (18/9, Maracanã), 4 x 1 América (21/9, Maracanã), 3 x 0 Campo Grande (25/9, Moça Bonita), 3 x 0 Olaria (28/9, Maracanã), 2 x 1 Portuguesa (2/10, Maracanã), 1 x 0 Fluminense (9/10, Maracanã), 0 x 0 Vasco (16/10, Maracanã), 0 x 0 Botafogo (20/10, Maracanã), 2 x 0 Bonsucesso (23/10, Moça Bonita) e 1 x 2 Flamengo (30/10, Maracanã). No segundo turno: 4 x 0 Bonsucesso (6/11, Teixeira de Castro), 3 x 1 Olaria (14/11, Moça Bonita), 3 x 0 Botafogo (20/11, São Januário), 3 x 2 América (27/11, Maracanã), 3 x 0 Vasco (4/12, Maracanã), 3 x 1 Fluminense (12/12, Maracanã) e 3 x 0 Flamengo (18/12, Maracanã). Também foram campeões: o lateral Cabrita e os atacantes Ênio, Jair Santos, Luisinho Boiadeiro, Norberto, Tonho e Zé Carlos
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Fonte: Jornal Lance! (Roberto Assaf – Memória do Futebol), 19/12/2006.

     
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