Rio de Janeiro, domingo, 19 de novembro de 2017 - 06h35min
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DE VOLTA À PRIMEIRA DIVISÃO DO CARIOCA, BANGU TENTA RESGATAR PASSADO VITORIOSO

Duas vezes campeão do Rio de Janeiro e vice do Brasileirão em 1985, centenário clube da Zona Oeste volta a dar alegria a seus fiéis torcedores

Na última terça-feira foi divulgada a tabela do Campeonato Carioca de 2009. E uma novidade é a presença do Bangu entre os times da Primeira Divisão do Rio. Fato que não acontecia desde 2004, ano em que o Alvirrubro foi rebaixado. Os fiéis torcedores do clube comemoraram muito o retorno à elite do futebol, sacramentado após a vitória sobre o Aperibeense por 2 a 0, no último sábado. Uma partida que, segundo muitos banguenses, serviu para compensar duas "injustiças históricas".

Cezar Loureiro/AGÊNCIA O GLOBO
 
O título da Segunda Divsão do Rio garantiu a volta do Bangu à elite do futebol carioca

A primeira delas remete a um passado recente, mais precisamente há quatro anos. Em 2004, o Bangu Atlético Clube entrava para o seleto grupo de clubes de futebol que atingia a imponente marca de 100 anos de existência. A expectativa era a de uma temporada especial e festiva, em que o passado vitorioso do time seria resgatado ao menos em sua tradicional competitividade. Mas o centenário alvirrubro foi marcado por uma grande decepção. Em 12 partidas no Carioca, apenas cinco pontos foram conquistados e o rebaixamento foi inevitável.

Poderia se tratar de uma fatalidade passageira, mas o objetivo de retornar à Primeirona bateu na trave nos anos de 2005, 2006 e 2007. Este ano, o Bangu conseguiu dar um basta nos maus resultados e reinou soberano na Segundona. Em 30 jogos, venceu 20 e sofreu apenas quatro derrotas. Foram 52 gols marcados e 21 sofridos. Para devolver o orgulho do torcedor banguense, o último triunfo da campanha - e o título - veio contra um adversário que também estava engasgado. Não o Aperibeense, time ainda sem muita tradição no Rio, mas sim quem estava no comando técnico da equipe: o ex-atacante Índio. O mesmo que em 1985, na final do Campeonato Brasileiro, fez um gol diante do Alvirrubro e ajudou o Coritiba a conquistar o título nacional nos pênaltis. Em um Maracanã lotado por torcedores de todos os clubes do Rio apoiando o time da Zona Oeste.

Com antigos fantasmas exterminados, o Bangu agora sonha em resgatar o passado que marcou de forma positiva a história do clube.


Um século de futebol

Reprodução/Divulgação
 
Craque da Copa de 50, Zizinho (centro), ao lado de Décio e Nívio, atuou no Bangu de 1950 a 57

Desde o início, o Bangu teve seu nome vinculado à classe operária fabril e ao bairro onde está localizado. Britânicos que trabalhavam na Fábrica Bangu de tecidos no final do século XIX trouxeram bolas e chuteiras em suas bagagens e apresentaram o esporte a brasileiros. Estusiasmados com o novo esporte, resolveram criar o Bangu Atlético Clube no dia 17 de abril de 1904. A primeira partida foi disputada contra o Rio Cricket and Athletic Association, em 24 de julho do mesmo ano. Derrota alvirrubra por 5 a 0.

Apesar desse tropeço inicial, o clube orgulha-se de conquistas e campanhas importantes tanto no cenário carioca quanto no âmbito nacional, além de ter participado de momentos históricos do futebol. Suas duas conquistas estaduais são prova disso. Em 1933, tornou-se o primeiro campeão profissional de futebol (antes os campeonatos eram amadores). E em 66, consagrou-se como o último a furar a hegemonia de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco no Rio.

Em 1985 esteve muito perto de vencer o Campeonato Brasileiro. Com o ponta-direita Marinho como destaque e com o incentivo financeiro do bicheiro Castor de Andrade, patrono do clube, a equipe perdeu o título nos pênaltis para o Coritiba. No mesmo ano, foi vice carioca, caindo diante do Fluminense em uma decisão marcada por um pênalti não marcado de Vica sobre Cláudio Adão no lance final do jogo.


Pioneiro na luta contra o racismo

Reprodução/Divulgação
 
Domingos da Guia (último à direita) é homenageado no hino do Bangu

Um dos maiores orgulhos dos clube é o de ter revelado Domingos da Guia, considerado um dos melhores zagueiros brasileiros de todos os tempos e que disputou a Copa do Mundo de 1938.

Tanto é que a primeira estrofe do hino do clube faz menção ao zagueiro:

"O Bangu tem também a sua história, sua glória,
Enchendo seus fãs de alegria.
De lá, pra cá, surgiu o Domingos da Guia."

Outros nomes famosos como Zizinho (craque da Copa de 50), Zózimo (bicampeão mundial em 58 e 62), Ademir da Guia (filho de Domingos), Cláudio Adão, Paulinho Criciúma, Marinho e Mauro Galvão vestiram o uniforme listrado vermelho e branco. O que, porém, carregaria maior importância histórica seria Francisco Carregal: o primeiro jogador negro a disputar uma partida de futebol em território brasileiro. A atitude pioneira banguense aconteceu em 14 de maio de 1905 e não foi bem aceita pelos demais times, que em 1907 proíbiram oficialmente a participação de negros na Liga Metropolitana (o Estadual da época). Como o Bangu não quis acatar a decisão, foi desligado da entidade, mantendo-se fiel aos ideais que acompanhariam o clube até hoje. Um orgulho eterno para os torcedores banguenses.


Repórter: Rafael Cardoso
Fonte: GloboEsporte.com, publicada em 20/11/2008.



Baú do esporte

. Em 1985, Bangu chega à final do Campeonato Brasileiro, mas perde nos pênaltis para o Coritiba. (Veja o vídeo)

. Em 1987, altos bichos pagos por Castor de Andrade eram motivação extra para jogadores do Bangu. (Veja o vídeo)

     
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