Bangu Atlético Clube: sua história e suas glórias

Nova York, 16 de julho de 1960

Os jogadores do Sporting protestam. Beto, impedido, não quis saber e marcou o quarto gol do Bangu.
Os jogadores do Sporting protestam. Beto, impedido, não quis saber e marcou o quarto gol do Bangu.

GOLEADA HISTÓRICA DO FUTURO CAMPEÃO DO MUNDO

O Bangu estava “tinindo” no Torneio Internacional de Nova York. Passara pelo Sampdoria (Itália) por 4 a 0, pelo Rapid Wien (Áustria) por 3 a 2 e tinha pela frente o Sporting, vice-campeão português de 1959.

O duelo prometia ser duríssimo, mas os norte-americanos não se importaram muito com o jogo e pouco mais de 8 mil pessoas passaram pelas bilheterias do estádio Pólo Grounds naquele sábado.

Se nos 20 minutos iniciais, as duas equipes ficaram se estudando, com os brasileiros se garantindo na defesa para não levar um gol, a partir do momento em que Zé Maria acertou um chute a 25 metros de distância, o panorama mudou. A abertura da contagem pelos banguenses mexeu com os nervos dos portugueses, que se perderam em campo.

Assim, Luís Carlos – a 16 metros do arco de Octávio de Sá – ampliou para 2 a 0. Zé Maria, que até 1959 ainda era dos juvenis, arriscou outra bomba de fora da área – agora a uma distância de 30 metros – e o goleiro português aceitou. Bangu 3 a 0, placar do 1º tempo.

O técnico do Sporting, o argentino Alfredo González, trocou apenas o seu “guarda-redes” para o 2º tempo. Entrou Carvalho no lugar de Octávio de Sá, que levara a culpa pelo poderio ofensivo do Bangu.

Os portugueses seguiram o exemplo dos banguenses e começaram a chutar de longe. Numa dessas bolas, Hugo Sarmento conseguiu vencer a resistência de Ubirajara e diminuiu para 3 a 1 logo no início da segunda etapa.

Era só um gol de honra. Aos 22 minutos, Luís Carlos tocou para Beto – que estava impedido dentro da área. Livre, Beto marcou o quarto gol. O bandeirinha George Harnisch anulou, mas o árbitro Raymond Kraft validou a jogada, irritando os portugueses. Irado, o capitão Hilário Conceição chutou a bola para as arquibancadas e foi expulso. Os portugueses, então, passaram cinco minutos protestando com o árbitro. Já não queriam mais a anulação do quarto gol, queriam a absolvição do capitão. Tudo em vão.

Com um a mais, aproveitando-se do descontrole do Sporting, Luís Carlos – com um chute a uma distância de 13 metros – deu números finais a goleada: Bangu 5 a 1. Um passo importantíssimo para vencer o Grupo II do Torneio de Nova York e buscar o título de campeão mundial interclubes. Os banguenses lideravam a chave, um ponto à frente do Estrela Vermelha, de Belgrado.  

A goleada imposta pelo Bangu foi a maior derrota sofrida pelo Sporting desde 1953.

Ficha técnica

Torneio de Nova York 1960 (Grupo II)

Classificação