Bangu Atlético Clube: sua história e suas glórias

Maracanã, 9 de outubro de 1966

Arte Fluminense 0 x 1 Bangu
Olho no lance!
Olho no lance! – A bola sobra para o estreante Norberto chutar forte e vencer o goleiro Jorge Vitório. Paulo Borges, que fez um corta-luz, sai para comemorar o gol da vitória.

Era o duelo de líderes do Campeonato Carioca de 1966. Bangu e Fluminense tinham vencido todos os jogos que disputaram até então, ou seja, ambos tinham seis vitórias e 12 pontos na tabela. A partida de domingo, no Maracanã, poderia mantê-los em igualdade ou fazer com que um deles virasse líder isolado.

A expectativa pelo clássico levou mais de 32 mil pessoas ao estádio. O técnico Alfredo González fez três substituições no ataque. Saíram Cabralzinho, Ênio, e Zé Carlos, entraram Norberto, Jair e Aladim. Do outro lado, Tim, o “estrategista”, tinha a vantagem de conhecer bem os craques banguenses de “outros carnavais”.

Norberto era um estreante. O atacante tinha sido contratado ao Palmeiras e, o que mais impressionava até então, não era sua capacidade técnica ou porte atlético. Chamou a atenção da imprensa, o fato de Norberto, aos 23 anos, já ostentar o título de bacharel em Direito.

Foi um jogo muito estudado, os adversários se respeitavam. O Bangu lembrava que em 1963, 1964 e 1965 o Fluminense foi o responsável direto por arrancar o título das mãos do time de Moça Bonita.

Durante o 1º tempo, as torcidas não gritaram “gol”, mas o uníssono “uuuhhhh” percorreu as arquibancadas várias vezes. Aos 43 minutos, Mário desperdiçou uma chance clara para o Flu. Aos 45, foi a vez de Norberto chutar firme para uma defesa sensacional de Jorge Vitório, colocando a bola à córner.

O equilíbrio de forças terminou no 2º tempo, quando apenas o Bangu desfilou sua classe em campo e começou a perder grandes oportunidades. Na melhor delas, aos 23 minutos, o meia Ocimar deu um “sem-pulo” e a bola foi acertar o travessão do Fluminense.

Parecia que o empate sem gols serviria para ambos. Porém, aos 37 minutos, ocorreu o lance que os torcedores suburbanos esperavam. Cruzamento para a área, Bauer falhou e rebateu nos pés do estreante Norberto. De direita, veio o míssil rasteiro, que só foi parar depois de balançar as redes do goleiro Jorge Vitório. Era o gol do Bangu! Um advogado que estava sem jogar futebol havia quatro meses tinha derrotado o temível time das Laranjeiras!

Depois do gol, o capitão Ocimar resolveu fazer uma “cera”. Curiosamente, o próprio árbitro Aírton Vieira de Morais o carregou no colo para fora de campo. Não à toa, o juiz era apelidado de “Sansão”...

Mesmo com um a menos, o Bangu deu trabalho e, no último minuto, Paulo Borges quase ampliou de cabeça. Jorge Vitório espalmou.

Satisfeitíssimo com a vitória e com a liderança isolada, Castor de Andrade anunciou no vestiário um polpudo “bicho” de 200 mil cruzeiros.

O único que parecia preocupado era o técnico Alfredo González. Para o próximo jogo, contra o Vasco, já poderia contar com o retorno de Cabralzinho. E agora? Quem é que sairia: Norberto ou Jair? – perguntou um repórter.

- Não sei. A melhor solução seria fazer um ofício à C.B.D. solicitiando a escalação de doze jogadores... – brincou o treinador argentino.

Lance de perigo para o goleiro Jorge Vitório, que saiu de forma arrojada nos pés de Jair, camisa 10 do Bangu.
Lance de perigo para o goleiro Jorge Vitório, que saiu de forma arrojada nos pés de Jair, camisa 10 do Bangu.
A Frase
“Quando chutei tive absoluta convicção de que marcaria porque a meta estava escancarada. Não havia salvação para o goleiro do Fluminense, pois havia muita gente à sua frente e o chute saiu forte. Fui feliz e espero que a equipe do Bangu continue proporcionando alegria à torcida.”
Norberto,
camisa 9 do Bangu
O Fluminense perdeu a pose – Nervoso com a derrota, o atacante Mário aponta o dedo para o banguense  Jair.
O Fluminense perdeu a pose – Nervoso com a derrota, o atacante Mário aponta o dedo para o banguense Jair.
Ficha técnica

Campeonato Carioca 1966

Classificação