Bangu Atlético Clube: sua história e suas glórias

Maracanã, 11 de julho de 1985

Arte Bangu
Foto do jogo

Trabalhando anonimamente como segurança da Arquidiocese do Rio de Janeiro está um homem que teve sua noite de glória no Maracanã, em 11 de julho de 1985: João Cláudio da Silva Gomes. Na época era um jovem de 22 anos, que começava a buscar seu espaço no futebol.

Bangu vivia seu momento máximo, brigava pela classificação às semifinais do Campeonato Brasileiro. Para isso, tinha que manter a liderança do Grupo H e afastar o Vasco da briga.

João Cláudio estava no auge. Tinha feito o gol de empate contra o Internacional e anotado outro na goleada sobre o Mixto. Ganhou destaque. Rapidamente os jornais quiseram saber quem era o jovem camisa 16 do Bangu.

Com transmissão ao vivo, o jogo não levou muita gente ao Maracanã. Apenas 8.266 pessoas pagaram ingresso naquela noite. E quem foi, ainda teve que sofrer com um “apagão”, que deixou o estádio às escuras aos 15 minutos do primeiro tempo.

A iluminação só foi restabelecida meia hora depois. O Bangu estava melhor, os pontas Marinho e Ado davam trabalho, mas o centroavante Pingo não aproveitava as chances criadas. Moisés se irritou. Logo aos 30 minutos sacou o jogador e colocou em campo o reserva João Cláudio.

Foto do jogo

O 1º tempo terminou mesmo 0 a 0. No 2º tempo, aos 19 minutos, o juiz Manuel Serapião Filho expulsou um de cada lado: Oliveira e Mauricinho, que tinham saído no tapa. Prejuízo maior para o Vasco, que perdia um craque, enquanto Moisés tirava o meia Lulinha e colocava o zagueiro Delacir para recompor o sistema defensivo.

Aos 25 minutos, Mário roubou a bola de Vitor no meio-campo, tocou para João Cláudio que lançou Marinho na ponta. O craque alcançou e fez um cruzamento, mais para o goleiro Acácio do que para João Cláudio. Os dois trombaram e a bola, mansamente, foi para o fundo das redes. Bangu 1 a 0.

Os vascaínos reclamaram duplamente. Primeiro, queriam impedimento no lançamento de Marinho, depois pediam falta de João Cláudio no goleiro Acácio, que não existiu.

Precisando do empate, os vascaínos foram ao ataque e abriram espaço para os rápidos contra-golpes do Bangu. João Cláudio de posse da bola, tocou para Marinho na direita. O ponta driblou um marcador de forma desmoralizante, invadiu a área e levantou para o próprio João Cláudio matar no peito e, sem deixar cair, chutou para o gol. A bola bateu na trave e entrou. Um golaço! Talvez o mais bonito do Campeonato Brasileiro de 1985.

O Bangu vencia por 2 a 0, mantinha a liderança do grupo e João Cláudio era, enfim, promovido a titular. No próximo jogo, ele não mais vestiria a camisa 16, desbancaria Pingo e ficaria com a nº 9 até o fim do Campeonato.

Sempre muito rígida, a tradicional revista Placar foi generosa na distribuição de boas notas aos atletas do Bangu após a partida. Mário e João Cláudio ganharam 9. Jair, Baby, Israel, Marinho e Ado ficaram com 8. Gilmar, Márcio Nunes e Oliveira tiraram um 7. O trio Lulinha, Delacir e Pingo levou nota 6.

Depois de marcar quatro gols em três jogos, João Cláudio passou a ser mais requisitado do que o ídolo Marinho na hora das entrevistas. A imprensa, enfim, descobriu quem era o artilheiro banguense.


O personagem: João Cláudio

Foto do jogo

“Comecei no juvenil do Fluminense, tinha 15 anos. Dispensado, acabei contratado pelo Vitória, da Bahia. Em 1980 e 1981 formei um meio-campo com Bebeto e Nego. O Bebeto estava com 14 anos e o Nego era mais velho, com 16. Às quartas-feiras, jogávamos pelo juvenil e, domingo, no profissional. Mas, com saudades de casa, voltei ao Rio. Fiquei na praia de Copacabana jogando as minhas peladas. Estava desempregado aos 16 anos.

Um dia, um homem muito forte, com mais de 2 metros de altura, se aproximou, na praia, e disse:

- Vamos comigo, menino, o ‘homem’ quer falar com você.

Fiquei leve, quase não conseguia sair do lugar e pensei logo: ‘sequestro não pode ser. Afinal sou feio e pobre’.

Era Aloísio, empregado de confiança de Castor de Andrade que me procurava no Rio há muito tempo.

Quando cheguei, o Castor foi logo me dizendo:

- Você é jogador do Bangu, mandei buscar os seus papéis no Vitória”.

Eu estava novamente empregado e nem sabia.

Já com idade para me profissionalizar fui emprestado ao Rio Negro de Manaus, onde consegui me destacar, marcando 13 gols, um a menos do que o artilheiro do campeonato, Dário, que fez 14”.

Voltou ao Bangu em 1985, sendo um dos destaques da fase final do Campeonato Brasileiro. Ficou no clube até 1988, quando foi negociado com o Goytacaz.

Depois de jogar no futebol francês e até na Venezuela, João Cláudio, hoje, é responsável direto pela segurança do Arcebispo do Rio de Janeiro.

Ficha técnica

Campeonato Brasileiro 1985 (Grupo H)

Classificação