Bangu Atlético Clube: sua história e suas glórias

Beira-Rio, 21 de julho de 1985

Arte Bangu
Nove atletas que cresceram em campo e derrubaram o Inter no Beira-Rio: Marinho, Mário, Baby, Oliveira e Cardoso. Gilmar, Lulinha, João Cláudio e Ado.
Nove atletas que cresceram em campo e derrubaram o Inter no Beira-Rio: Marinho, Mário, Baby, Oliveira e Cardoso. Gilmar, Lulinha, João Cláudio e Ado.

O Bangu sabia que iria enfrentar um estádio inteiro na busca por uma vaga nas semifinais do Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão de 1985.

Era o jogo contra o Internacional, pela última rodada da segunda fase, no Beira-Rio. O empate bastava para os banguenses, mas o time gaúcho tinha certeza de que era possível acabar com a fama dos comandados do técnico Moisés.

Para o Inter, a tradição teria que pesar. Em casa, diante de mais de 57 mil pessoas, não queria decepcionar a sua imensa torcida. Por outro lado, o Bangu se valia de sua imensa série invicta, que já totalizava 28 partidas e de um tabu de nunca ter perdido para o Inter, mesmo que as estatísticas mostrassem apenas cinco confrontos entre os dois times alvirrubros desde 1957, com uma vitória dos banguenses e quatro empates.

O Bangu não se assustou com a pressão inicial do Internacional, que entrou em campo com a intenção de decidir o jogo logo nos primeiros minutos.

Demonstrando certo nervosismo quando perceberam que o jogo não seria fácil, os jogadores do Inter começaram a ceder espaços para o Bangu. Aos poucos, o meio-campo alvirrubro começou a avançar e levou perigo ao gol de Mano, sempre que as bolas eram lançadas em profundidade para os pontas Marinho e Ado. Errando passes e sem vocação para atacar - os rebotes quase sempre eram pegos pelos jogadores da defesa do Bangu e o Inter se impacientava.

A única jogada realmente de perigo do Inter foi quando Ruben Paz entrou na área e foi trancado por Cardoso. O Inter não fez nada no 1º tempo. Já o Bangu chegou a perder duas chances de gol, uma com Mário e outra com Baby, que chutou forte, por cima do gol de Mano.

No 2º tempo, o Inter entrou outra vez para decidir o jogo. Sabia que o empate só servia para o Bangu e não queria perder a oportunidade de voltar às semifinais da Taça de Ouro, após cinco anos de ausência. Mas o meio de campo e a defesa dos suburbanos estavam seguros, explorando sempre as jogadas de contra-ataque.

E foi o Bangu quem marcou primeiro. Numa jogada em velocidade, aos 18 minutos, Mário chutou forte no meio do gol, sobrando a bola para o centroavante João Cláudio, que tirou o zagueiro Mauro Galvão da jogada com um giro de corpo, empurrando para as redes com o pé direito.

Depois do gol, o Inter, que já estava desarrumado, se desesperou, esqueceu o esquema tático e na base da força, tentou marcou dois gols. Conseguiu até anotar um aos 35 minutos. O zagueiro André Luís entrou na área e chutou cruzado, marcando o gol de empate.

Mesmo assim, o Bangu não se desesperou. Sempre que estava de posse da bola, partia para contra-ataques rápidos e perigosos. Aos 43 minutos, uma falha incrível do goleiro Mano. Pegou uma bola com a mão fora da área, achando que o jogo estava paralisado pelo árbitro Romualdo Arppi Filho. Não estava. Ou seja, deu uma falta frontal para que Marinho cobrasse com perfeição: 2 a 1.

O pequenino Bangu conseguia sua classificação para as semifinais, dentro do Beira-Rio, emudecendo a grande torcida do Inter.

A festa programada pelos colorados acabou sendo feita pelos banguenses que, em êxtase, vibravam ainda no gramado. Castor de Andrade, generoso como sempre, abriu a maleta e, no vestiário, colocou 2 milhões e 800 mil cruzeiros nas mãos de cada um dos heróis banguenses.

Em Porto Alegre, na volta para o Hotel Continental, os banguenses foram seguidos por torcedores do Grêmio, felizes com a eliminação do Inter.

Um gremista, quase em lágrimas, abraçou o zagueiro Cardoso e saiu-se com essa: “Muito obrigado, Marinho”. O verdadeiro Marinho, estrela do Banguzão 85 e autor do gol da vitória, se desmanchava de rir do outro lado do vestiário...

O semifinalista Bangu iria permanecer em Porto Alegre nos próximos dias, já que o adversário seria o Brasil de Pelotas, quarta-feira à noite, no estádio Olímpico. O Brasil, outra surpresa daquela Taça de Ouro, eliminou o Flamengo, do técnico Zagalo e do craque Zico.

Após a partida contra o Inter, a revista Placar anunciava o grande clássico do futebol nacional: o “Bra-Ban”, e indagava marotamente: “Quem imaginou que isso pudesse acontecer? Bangu e Brasil de Pelotas fazem as semifinais da Taça e um deles já está garantido na próxima Libertadores”.

Ficha técnica

Campeonato Brasileiro 1985 (Grupo H)

Classificação