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Nova York 6 de agosto de 1960
O BANGU DE TIM É CAMPEÃO MUNDIAL INTERCLUBES

Exatas 25.440 pessoas pagaram ingresso nas bilheterias do Polo Grounds para presenciar a final da International Soccer League, o Campeonato Mundial Interclubes instituído pelo milionário nova-iorquino William Cox. Era recorde de público nos Estados Unidos para uma partida de futebol. Nunca tanta gente se interessara pelo soccer.

Na entrada, os fãs poderiam escolher se queriam uma bandeirinha em verde e amarelo escrita “Brazil” ou uma bandeira da Grã-Bretanha. Afinal, a finalíssima reunia o Bangu, vice-campeão carioca de 1959 e o Kilmarnock, vice-campeão escocês de 1959. Duas equipes que não iriam admitir outro vice-campeonato.

Coincidentemente, a campanha de ambas era idêntica: quatro vitórias e um empate. O Bangu vencera a Sampdoria (Itália) por 4 a 0, o Rapid Wien (Áustria) por 3 a 2, o Sporting de Lisboa (Portugal) por 5 a 1 e o Estrela Vermelha de Belgrado (Iugoslávia) por 2 a 0, empatando apenas com o Norrkoping (Suécia) em 0 a 0.

O Kilmarnock, que jogava todo de branco, venceu o Burnley (Inglaterra) por 2 a 0; bateu o Bayern de Munique (Alemanha Ocidental) por 3 a 1; venceu o Glenavon (Irlanda do Norte) por 2 a 0; empatou com o Nice (França) em 1 a 1; e por fim, ganhou o New York Americans por 3 a 1, chegando à finalíssima.

A organização do torneio publicou uma revista, espécie de programa oficial da decisão, ricamente ilustrada. Na capa, o objeto do desejo das duas equipes: a American Challenge Cup.

O Bangu tinha dois desfalques importantes: o craque do torneio, Ademir da Guia, resfriado, e o atacante Luís Carlos, contundido.

O goleiro Ubirajara lembrou o clima que antecedia àquela final: “Nós fomos jogar um torneio em Nova York, em 1960, fomos campeões e nós fomos assistir ao jogo do nosso adversário. Voltamos para o hotel, Tim chegou e falou assim: ‘Eu só perco esse jogo se você tomar frango, se não, não tem jeito’”.

Pelo visto, o técnico Tim não levava o Kilmarnock muito à sério e logo traçou a estratégia para derrotar o adversário, segundo explica Ubirajara: “Tim falou: ‘E nós vamos ganhar o jogo sabe como? Válter!’”.

Ganhar o jogo por meio de Válter era uma das teorias mais improváveis, afinal, durante todo o Torneio de Nova York, Válter não tinha feito um único gol, mas Tim tinha uma ideia imbatível:

“O Correia vai fazer uma diagonal, Válter vai correr pelas costas, a bola vai ser lançada pelo Beto para a área, Válter vai entrar por trás da zaga e fazer o gol” – segundo Ubirajara, essa era a estratégia para ser campeão.


O pequenino Válter era a arma secreta de Tim para derrotar os escoceses na final.

Às 17h50 (horário de Nova York), após serem executados os hinos do Brasil, dos Estados Unidos e o God Save The Queen, da Grã-Bretanha, começou a finalíssima.

Em campo, a tática de Tim funcionou perfeitamente logo aos 3 minutos, só que o passe, em vez de ser de Beto, foi de Décio Esteves. Válter, a 10 metros do goleiro Jimmy Brown, chutou cruzado, era o primeiro gol do Bangu.

O gol deu enorme tranquilidade ao time, que manteve toda a cautela durante o restante do jogo, segurando o placar e impedindo os avanços do Kilmarnock.

O pior momento dos craques alvirrubros ocorreu aos 14 minutos do 2º tempo, quando Zózimo cometeu uma falta bem próxima à área. Kennedy cobrou e Ubirajara defendeu. Foi uma grande intervenção do goleiro, em um lance que poderia ter mudado o destino da partida.


Ubirajara em ação contra o Kilmarnock. Era só não levar “frango”, que o Bangu seria campeão mundial...

Só no finalzinho, quando os escoceses cansaram, o Bangu voltou a utilizar a tática de Tim. Novamente Valter foi lançado e novamente marcou o gol. Eram decorridos 42 minutos do segundo tempo e um chute longo, a 25 metros, selou a vitória banguense. A bola desviou em Willie Toner e subiu, fugindo do alcance do goleiro Jimmy Brown, que caiu dentro da meta. Era o gol do título! O Bangu era campeão do mundo!

Ao apito final do árbitro James McLean,  Tim correu para o centro do campo e encontrou Ubirajara: “Viu? Você não tomou frango, nós ganhamos o jogo!”.


Um elegante Zózimo acompanha a jogada do Kilmarnock. Campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1958 e campeão pelo Bangu em 1960.

O The New York Times, em reportagem de Gordon White Jr., disse que: “Com a vitória, o Bangu abrilhantou consideravelmente o prestígio do Brasil como uma força do futebol, já que a seleção nacional ganhou o título mundial há dois anos, na Copa da Suécia”.

“Quando Bangu venceu o Campeonato, havia tantos brasileiros no estádio, que parecia que eles disputavam a Copa do Mundo", disse Arnie Ramirez, um espectador americano presente ao Pólo Ground naquele sábado.

Ao fim, uma cena rara de pura fidalguia. Os jogadores do Kilmarnock, mesmo derrotados, carregaram em triunfo o capitão Décio Esteves, mostrando que reconheciam os banguenses como verdadeiros campeões mundiais.


Reprodução da notícia do The New York Times, com Décio Esteves nos braços dos jogadores adversários.

Na quarta-feira, 10 de agosto, às 6 horas da manhã, o Boeing 707 da VARIG aterrissou no Galeão trazendo os campeões do mundo. Era muito cedo, mas a banda de música dos funcionários da Fábrica Bangu já estava lá para recepciona-los. O patrono Guilherme da Silveira também estava no saguão, orgulhoso pela conquista internacional e tendo que desembolsar 4.800 cruzeiros para livrar as bagagens da delegação da Alfândega...

O eterno ídolo Domingos da Guia também estava lá, tal como mais um torcedor banguense, para recepcionar o filho Ademir. De presente, o jovem trouxe uma novidade daqueles tempos, um aparelho de barbear elétrico. “É para o velho não deixar crescer a barba branca”...

O Torneio trouxe lucros para o Bangu. Financeiramente, 30 mil dólares pela participação mais 6 mil dólares pela conquista do título. Esportivamente, vários convites para jogos amistosos internacionais em 1961. Afinal, todos queriam ver que força vermelha e branca era essa.

Fato curioso, quando o cortejo da vitória, formado por carros e caminhões, se preparava para deixar o Galeão, o técnico Tim sugeriu uma mudança na rota: “Vamos por Irajá, porque temos de dar uma paradinha em frente do Madureira, para dar uma gozação neles, mostrando-lhes nossos troféus, muitos e bonitos”.

Todos caíram na gargalhada...

     
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